Madurar

Nobre é se superar
Viver agora
quando precisar lutar

Na vida ocorre um ledo engano
Perde-la ao ficar fazendo plano
Por que não exigir mais do por do sol
Errar tentando não é ponto final

Ao ficar longe do amor
Aprende-se a lhe dar valor
Face ao que é racional
Ficar junto é natural

Nobre é perdoar
Melhor na hora
Pra sempre amar

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Mão babada

Tenho duas mãos que vivem bem babadas
Porque os meus dentinhos,
estão chegando na parada

Mão babada
Mão babada
Mão mão mão
Mão babada
Mão babada

Fico com muita fome, pouco depois de amamentada
Se atrasa a papinha,
fico logo atacada

Mão babada
Mão babada
Mão mão mão
Mão babada
Mão babada

Mas a mamãe, faz tudo passar
Me abraça no peito, pra me esquentar
Depois do banho, de jantar, brincar
Fico agarrada, até me ninar


Duas gatinhas

Temos duas gatinhas bem lindinhas
Uma moreninha e a outra branquinha
Valentina com sua ternura
Virgínia e sua formosura, elas são.

A caçula é do tipo que come de tudo
Mas sua irmã mais velha faz jogo duro
Na real, são engraçadas,
A cada dia uma palhaçada, elas são.

Temos duas gatinhas bem nervosinhas
Se fazemos o que elas querem, ficam irritadinhas
Mas elas são uma graça
Mesmo quando fazem pirraça, elas são.


Motorista

Olhos na pista, caveiras entre os dedo, mãos no volante, mente em vc.
Vento vai, poeira atrás, desce o vidro e sobe o som.
Na alegria de ir, o chegar é secundário.
Atrasou-se ao chegar, trânsito, acidentes, cotidiano caótico típico em grandes cidades.
Mas ele chega, acredite, bem antes da enternidade.
Pois as vidas em suas mãos ditam sua velocidade.
Pelo retrovisor ele nota se vocês olham, seis olhos se tocam.
Três lábios se curvam, vários sorrisos surgem e um beijo se promete.


Sonos

Olhos entram nos sonhos
ao se fecharem em sono.
Fantasticos, reais, estranhos e desiguais.
Costumava ser assim, não mais pra mim.
Agora dormir é apagar.
No sonho do olho aberto,
importa você perto.
Nos nossos sonos, nossos sonhos.
Só nós.


Amar

Que pode uma criatura senão entre criaturas, amar?
Amar e esquecer?
Amar e malamar
Amar, desamar e amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal,
se não rodar também, e amar?
Amar o que o mar trás a praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amor inóspito, o áspero
Um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte,
e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este é o nosso destino:
amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor
Amar a nossa mesma falta de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito e a sede infinita.

(poema de Drummond)


Pimenta

o avião passa e ela corre
em mim a menina encontra
um porto seguro que lhe acolhe
 
o jabuti, a carijó e ganso
testemunham um grande dia
que de tamanha é a alegria
cerca-los não me canso
 
vagaroso o sol se põe 
enquanto ela fica sonolenta
depois de tanta agitação
descanse e durma minha pimenta