Eu, relógio (Weslógio)

o
ponteiro pequeno é minha mente

o grande é meu coração
ora apontam para o mesmo lado,
não maior parte do tempo não

fatio o tempo
e aponto as horas
preencho o vazio
faço história

o giro das engrenagens não cessa
tampouco meus pensamentos
e tanto pensar desperta a dor
como um despertador

um ser analógico
num mundo digital
compassado com a vida
até a badalada final


badalada

café na mesa às oito e meia
nossa alegria a felicidade nomeia
o tempo é uma abstração da gente
passado e futuro só existem na mente
da parede as badaladas vem
de novo e outra vez, blem blem blem
o relógio me lembra que vivo agora
as filhas por perto, netos brincam lá fora
vivo e trabalho a quase oitenta anos
dia após dia, nesse clima serrano
de casados, cinquenta e cinco já
em minha esposa, um jovem vê
seu sonho familiar
em seus olhos marejados
água vejo brotar
parece feliz por estar aqui
e ansioso pra chegar lá

(Inspirado em Seu Zé Guidoni e na bela história que escreveu ao longo de seus 79 anos)


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