cinzas

naquela dia cinza
naquela hora nublada
aquela pessoa ranzinza
aquela que rima com nada

carbonizou seu amor
e agora ela teima
na escrita um extintor
apagar o que queima

cinzas  de palavras
de coisas passadas
agora queimadas

ela joga ao mar
o punhado de cinzas
para seu peito desapertar


amor d´agua

de fonte ou nascente
surge o amor
da solidão um alento
para a vida cor

percorre sua senda
no coração o seu leito
até que ao mar ascenda
enquanto enche o peito

no oceano de sensações
entre marés tranquilas e revoltas
navegam corações

onda violenta o velejo estraga
se a tripulação se perde
a embarcação naufraga


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