Sou

quando nasce ja computa
mais um filha da puta
para vários papéis desempenhar
nesse viver que é atuar

começo como neto,
que nasce e vira filho
estudando fico esperto
e nos sonhos vejo meus trilhos

um escaninho bem cheio
com vários papéis o seu meio
mas nenhum que não represente
o que tenho sempre em mente

a alegria do que faço
é da minha alma de palhaço
assim eu sou
assim é my soul


badalada

café na mesa às oito e meia
nossa alegria a felicidade nomeia
o tempo é uma abstração da gente
passado e futuro só existem na mente
da parede as badaladas vem
de novo e outra vez, blem blem blem
o relógio me lembra que vivo agora
as filhas por perto, netos brincam lá fora
vivo e trabalho a quase oitenta anos
dia após dia, nesse clima serrano
de casados, cinquenta e cinco já
em minha esposa, um jovem vê
seu sonho familiar
em seus olhos marejados
água vejo brotar
parece feliz por estar aqui
e ansioso pra chegar lá

(Inspirado em Seu Zé Guidoni e na bela história que escreveu ao longo de seus 79 anos)


insensatez

não sei ser sensato
quando se trata de amor
me falta jeito, trato
sobra dúvida, dor

queria acordar um belo dia
sabendo agir plenamente
com segurança e alegria
não mais indiferente


sem correria

não corro pra fazer poesia
não escolho palavras à revelia
se escrevo rapidamente
o texto parece incongruente
dá impressão que foi feito
nas coxas, de qualquer jeito

gosto de escrever com calma
colocar palavras em harmonia
dizer o que quer a alma
seja verdade ou fantasia

nos meus versos alegria
idéias, sensações, sentimentos
às vezes triteza, sem demagogia
materialização de pensamentos

e desse jeito
crio minha poesia
a calma um preceito
como quem assobia


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