inferno

No deserto da boa intenção
Entre pureza e indecência
Está enterrada a insolência
Cravada de ideais e ilusão

Mas tal repouso é imerecido
Depois de um viver mal vivido
Sob sete palmos bestiais
Jazem ideias geniais

À frente, um inferno onisciente
Diferente pois não é quente
Vazio de paz, repleto de dor
Da dúvida que tráz, diante do amor


Medo

Quando o medo paralisa, cega e cala
O terror se apodera e o coração dispara
Não, não pode tornar o haver em nada
Aja, conjure a bravura


efervescência mental

Sensações são como comprimidos
Para serem imergidos no copo da mente
Pelo nariz, olhos e ouvido
Ou demais bocas daquele recipiente
Molhado em ideias, insights e memórias
Efervescem pensamentos e a cabeça desarrolha


Bits à esquerda

O que eu estou fazendo?
Jogando bits no lixo
Zeros à esquerda de um
Com terabytes sobre o nada

O que estou pensando?
Nesse vazio digital
Pela energia dissipada
de um viver artificial

Onde estou?
No mundo das idéias
Renovando pensamentos
Deixando manias velhas


Pedaogrogia

Talvez seja demagogia clamar por pedagogia.
Mas bem que eu gostaria de conhece-la um dia.
Pois no fundamental, médio e  na graduação.
Ela, estranhamente, não me apareceu não.

Justo onde a didática deveria ser a prática.
Tem sido uma exceção, tal qual enterro de anão.
Que deve acontecer aqui e aculá.
Mas também não se ouve falar.

Já a pedaogrogia é tão grossa quanto acídua.
Atrasa e sai cedo, um esculacho de dar medo.
Pior que eu não atino esse jeito de ensino.
Me resta aprender sozinho e trilhar algum caminho.


Amor glacial

em dois cubos de gelo
um amor glacial
em sua aurora austral
um conquista vinking
sobre o mar da incerteza
prevalece a beleza
do querer ser
de aquecer
o ser


avalanche

ao se soltar uma palavra
do topo da montanha
ela desliza e cai
arrasta e desmorona
entre pensamentos soterrados
e sentimentos revirados
fica o leitor, esperando socorro
do poeta da defesa civíl
que revira os escombros
numa labuta sutil
apesar do assombro
desse cenário sombrio


Mais fácil

É mais fácil prosear do que metrificar
É mais fácil calar do que falar
É mais fácil mentir do que esclarecer
É mais fácil preocupar-se do espairecer

É mais fácil desistir do que lutar
É mais fácil conformar-se do se indignar
É mais fácil criticar do que bendizer
É mais fácil julgar do que tentar entender

É mais fácil ser sozinho do que amar
É mais fácil culpar-se do se perdoar
É mais fácil ignorar do que aprender
É mais fácil existir do que viver


O velho e o moço

Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim,
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz,
Quem então agora eu seria?

Ahh, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar…
Mas eu quem será?

Deixo tudo assim,
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo

E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir…

(Letra da canção de mesmo nome da banda Los Hermanos. Veja e ouça aqui)


Aparece

Que nos meus olhos
você veja carinho
Que em minhas mãos
você sinta afago
Que no meu corpo
encontre calor
Que pelo meu coração
se sinta enamorada
Assim o amor aparece
Sem que se apresse
Essa é minha prece


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